quinta-feira, 29 de março de 2012

Realmente estamos crescendo?

Confirmaram-se os prognósticos do vertiginoso crescimento dos evangélicos no Brasil, o que traz muita alegria a todos os que deles fazem parte. O IBGE revelou que no ano de 2009 os evangélicos eram 20,2% da população, em números aproximados isso significa cerca de 40 milhões de pessoas. A Fundação Getúlio Vargas num estudo recente diz que o crescimento dos evangélicos desde 1980 tem sido 10 vezes maior do que nos 108 anos anteriores. “Proporcionalmente, é como se toda a população de São Luiz do Maranhão ou de Campinas (São Paulo) experimentasse a conversão ano após ano nos últimos 30 anos” (Revista Ética Cristã Nº 35 – R. Régener e I. Guedes).
Realmente é para se estar eufórico com este impressionante resultado. Entretanto, a euforia precisa de contenção porque este crescimento não pode ser contabilizado como se só houvesse “entradas” e não “saídas”, também.  Estas, por sinal, são flagrantes, constantes e proporcionalmente gigantescas. O gigantismo é sempre monstruoso em sua proporção e desproporção em contextos como este. Cerca de 5 milhões de evangélicos não querem mais ir à Igreja. Pessoas que, na maioria dos casos, continuam se afirmando evangélicas mas negam-se a firmar compromisso com igrejas. As estatísticas registram que, há dez anos, tais pessoas representavam 4% do total de evangélicos e atualmente já representam 14%. Acentue-se que estão fora deste número os chamados “desviados”, aqueles que deixaram sua igreja e não se comprometeram com nenhuma outra igreja evangélica e aqueles que se filiaram a outras religiões. Este grupo é tão grande que mereceu destaque do jornal Folha de São Paulo. Nesta proporção de enchente e vazante não há motivos para festa e sim para lamentações, avaliações, revisões, etc. Os jovens são os que mais se evadem.
São vários os fatores que desencadeiam essa imagem do “copo sem fundo” e há várias opiniões sobre as causas (algumas conflitantes). Nos Estados Unidos David Kindman lançou recentemente o livro “Você Me Perdeu”, resultado de ampla pesquisa para avaliar a grande evasão das igrejas evangélicas na faixa etária entre 18 e 30 anos. Ele identifica esses jovens como “Geração Mosaico” através da seguinte tipologia: os nômades, que deixaram de fazer parte de uma igreja mas consideram-se cristãos; os pródigos, que perderam a fé e já não se dizem cristãos; e os exilados, que tentam manter a fé mas se sentem perdidos entre a cultura pós-moderna e a Igreja.
Há igrejas que mantém seu ritmo normal de crescimento seguindo o ordenamento do Novo Testamento. Outras, crescem assustadoramente em função de estarem permanentemente dentro da sedução da “sociedade do espetáculo”. A preocupação com estas é sempre quanto ao conteúdo, pois são boas de estética e ruins de ética. São movidas, com raras exceções, por eventos atrás de eventos. Ora, o povo da Bíblia é o da “profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus” e não um povo meramente religioso identificado por um determinado clichê. Por isso o cristão precisa destas características implantadas profundamente em sua vida, para ficar bem claro em seu modo de ser e viver a diferença entre luz e trevas, carne e espírito, velho e novo. Não se pode testemunhar de Cristo através de uma vida superficial. Não combina, porque a conversão é uma mudança profunda vivida pela pessoa impactada pela vida dele na sua. A partir de então, seu dia a dia passa a ser de crescente mudança para melhor como o revela a sabedoria de Provérbios 4:18: “Os caminhos dos justos resplandecem como a luz: quanto mais vivem, mais brilham”.
Fonte: Tarsis Wallace, é colunista de O Jornal, de Alagoas

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