domingo, 7 de agosto de 2011

De menino de rua a microempresário

Ex-interno da Febem, Ubirajara Ferreira, o Bira, de 30 anos, viveu a dura realidade das ruas de São Paulo. Não conheceu sua mãe e o pai desapareceu quando era pequeno. Sem teto e longe do calor familiar, sofreu todo tipo de privação até ser acolhido pelo Bom Samaritano, quando perambulava por Santa Catarina. Depois de passar três anos e meio internado, Bira conseguiu mudar radicalmente a vida que levava.
O Mont Serrat, comunidade pobre que integra o Maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis, é o endereço onde vive o ex-menino de rua, Ubirajara Ferreira, de 30 anos, sua esposa Alessandra, e o filho David. Depois de morar nas avenidas de São Paulo durante a infância, entregue à marginalidade, ele conheceu a Cristo, conquistou a casa própria e formou uma família na capital catarinense.
O microempresário, que vende produtos de limpeza em atacado, é apenas um dos frutos do Desafio Jovem O Bom Samaritano. Com 11 anos, ele e o irmão Sidnei, um ano mais velho, se viram sozinhos no mundo. “Minha mãe, eu não conheci nem por foto. Meu pai, um dia saiu para trabalhar de manhã e nunca mais soubemos dele, desapareceu”. A tia, única parente que morava perto, não tinha condições de criá-los e a saída foi entregar as crianças ao Conselho Tutelar.
“No início, fomos levados para uma fazenda que abrigava órfãos. Mas, no local só ficavam os pequenos e depois de pouco tempo fomos internados na Febem. Ali valia a lei do mais forte e ao invés de recebermos educação, conhecemos o crime e as drogas”, relembra Bira. Ele conta que no internato a luta pela sobrevivência era constante. “Eu e meu irmão nos defendíamos e um cuidava do outro lá dentro”. Porém, a união dos dois não teve fôlego, pois foram separados pelo governo em duas unidades diferentes.
Sozinho, conseguiu fugir da Febem para tentar a vida fora dos muros. Só encontrou a rua e mais criminosos. “Tentei ser alguém na vida e não consegui. Ninguém dá trabalho ou moradia para um menino de rua, muito menos um fugitivo da Febem”.
Uma viagem demorada
Foram quase cinco anos no submundo das calçadas, dormindo sob papelão e às vezes desmaiando de fome, até que junto com outro amigo decidiu tentar uma vida nova. Andando a pé e de carona chegaram a Itapema, no litoral norte de SC. Logo começaram a trabalhar como entregadores de panfletos para um restaurante. Aos 17 anos, batalhava durante o dia e gastava o que ganhava em drogas à noite.
A história começou a mudar quando foram recolhidos por uma “Casa de Menores” em Balneário Camboriú. Lá, um dos funcionários, que era evangélico e conhecia o Bom Samaritano, os trouxe até a Grande Florianópolis para iniciar um tratamento no Desafio Jovem.
O amigo que lhe acompanhava na viagem não ficou nem uma semana e voltou para as ruas. Bira, porém, agarrou a melhor oportunidade que lhe aparecera até então, com vontade de ser diferente. “Aqui eu fui educado, pois nunca tinha recebido educação, ganhei uma cama para dormir, aprendi a trabalhar, tinha um banho quente e fui transformado pelo Espírito Santo”, conta ele ao falar da rotina na chácara e da fé que conheceu no local.
Sonhos de empreendedor
Passados 13 anos, abençoado por Deus e com a ajuda de muitos amigos que fez por aqui, o jovem acredita ter conquistado uma vida digna. Hoje, comemora a construção da sua primeira casa, o nascimento do pequeno David, e faz planos para o futuro: “Um dos meus objetivos profissionais é ter uma construtora e trabalhar na área imobiliária”.
Além da empresa que dirige, Bira dedica seu tempo à Igreja Assembleia de Deus, da qual é obreiro no Monte Serrat. Ele também atende a congregação de Alto Felicidade, com aproximadamente 90 membros.


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