domingo, 7 de agosto de 2011

Ainda existe soluçao sim!

Filha busca a mãe recuperada das drogas e conta a emocionante luta da família contra o vício

Letícia Zappelini Nunes viveu um dos dias mais felizes de sua vida quando levou de volta para casa a mãe, Maria Goreti Conti Zappelini, de 47 anos, livre das drogas e restaurada por Jesus. Depois de passar anos nos vícios, Goreti chegou ao Bom Samaritano com a vida completamente destruída pelo crack. Passou um ano e três meses na Casa e teve sua história mudada, encontrou motivação para recomeçar e dar amor e carinho aos filhos. Neste relato, a filha narra todo o sofrimento que ela e seus irmãos enfrentaram até encontrar uma nova esperança.


"É uma grande responsabilidade falar da trajetória de vida da mãe da gente. Eu sou a filha mais velha e única filha mulher de uma família de três filhos. Nossos pais são separados desde meus oito anos de idade. Tenho 28 anos, sou casada e resido em Florianópolis. Minha mãe, Maria Goretti, tem sido um exemplo de superação e do poder de Deus na vida do ser humano que quer ser transformado e se esforça pra isso.

Morei com minha mãe até por volta dos 23 anos, tínhamos brigas freqüentes por motivos e comportamentos que eu não conseguia entender, naquele tempo minha mãe já havia se envolvido com drogas e eu não sabia. Somos naturais de Criciúma e, aos 24 anos, decidi mudar para Florianópolis. Após um ano e meio, fui morar fora do Brasil. Nestes quatro anos que me afastei sentia que minha mãe estava cada vez mais debilitada, com freqüentes 
crises de choro, tristeza e até depressão, não tinha força para trabalhar e vivia desanimada.

Eu tinha sonhos com ela que revelavam o que estava acontecendo, e por onde ela estava caminhando era tudo escuro e doentio. Ainda morando fora do Brasil, fiquei sabendo pela família que minha mãe estava envolvida com consumo de crack, tinha chegado ao fundo do poço.

Passou 40 dias internada em um Hospital Psiquiátrico e depois meu irmão conseguiu uma vaga em um Núcleo de Reabilitação onde ficou nove meses em tratamento. Saiu logo em seguida e em menos de um mês já havia caído nas garras do inimigo; ela estava morando em Criciúma com familiares quando um dia saiu de casa para trabalhar e ficou desaparecida por mais de 40 dias.

Eu me sentia muito triste e desanimada, muitas vezes vi minha fé e
smorecer e não acreditava que poderíamos tirar ela daquela situação, não tínhamos sequer notícias, não sabíamos nem se encontraríamos ela com vida, meus irmãos também não tinham mais forças pra procurá-la e eu, já residindo em Florianópolis, não podia fazê-lo.

O reencontro

Um dia decidi passar o final de semana em Criciúma e pedi ao meu irmão mais velho que fosse até um local onde eu desconfiava que ela estivesse escondida. Chegando lá perguntamos a uma pessoa que nos indicou o lugar onde ela estava e em menos de 15 minutos estávamos com nossa mãe dentro do carro, magra, sofrida e novamente dependente de drogas. Ela não tinha esperança, força nem vontade de mudar, parecia estar tudo perdido.

A levamos para o mesmo Núcleo de Reabilitação que a recebeu da primeira vez, porém depois de 15 dias ela desistiu do tratamento, tive que ir buscá-la junto com meu esposo. Não sabíamos o que fazer, eu não conseguia encontrar solução para aquela situação, ela voltaria para as drogas se não aceitasse um tratamento.

Então, Deus usou com sabedoria meu esposo que conseguiu tocar o coração de minha mãe e fazê-la sentir o quanto era amada pelos filhos e familiares e o quanto era importante para nós vê-la bem e livre das drogas. Sou grata a Deus pela vida dele! A família estava unida em oração, muitas pessoas orando para que ela aceitasse um tratamento.

Ela precisava ser ouvida, depois de muito choro e desabafo se arrependeu de ter abandonado a clínica, tentou voltar atrás, mas o coordenador do local negou o retorno, pois ela tinha decidido sair e nas normas da casa esse comportamento não era aceito. No dia seguinte vi minha mãe se ajoelhar e pedir a Deus um local para se tratar admitindo que sozinha não conseguiria largar o vício. Através da D. Marlene, uma amiga da família, conseguimos o contato do Bom Samaritano e na segunda-feira meu esposo e D. Marlene estavam levando minha mãe para iniciar seu tratamento no Desafio Jovem.

O apoio necessário

Tudo isso aconteceu em meados de dezembro 2009, os primeiros meses não foram fáceis, tristeza, angústia, reclamações, revolta era o que eu encontrava quando tirava o domingo para visitá-la. Fazia o caminho do Bom Samaritano pedindo força a Deus para mais uma visita, pois eu mesmo não tinha, mas sabia que cada visita era importante para a recuperação dela. Pessoas em tratamento precisam sentir-se amadas e amparadas pela família, elas não conseguem ter amor próprio e sentindo-se amadas encontram uma motivação e uma base pra querer perseverar no tratamento.

Uma nova vida

Hoje, após um ano e três meses no Bom Samaritano, com a graça do nosso Deus, minha mãe está recuperada, é outra mulher, é a mãe amorosa, atenciosa, uma mulher digna e correta, fortaleceu sua fé como nunca e Jesus faz morada no seu coração. Despediu-se do Bom Samaritano com alegria e com a missão de trabalhar como monitora em um Centro de Reabilitação onde levará seu testemunho de força, fé e poderá falar com convicção do poder de Deus na vida dela.

Meus agradecimentos sinceros ao Pastor Moisés Martins pela obra do Bom Samaritano e especialmente a querida e honrada irmã Margarida Borges que é muito amada por mim e pela minha mãe, uma amiga que queremos sempre cultivar. Com sua mansidão e fé, ela tem conseguido ajudar muitas pessoas a se libertar dos vícios e conhecer nosso mais fiel amigo: Jesus. Parabéns a todos pelo lindo trabalho que desenvolvem na ala feminina do Desafio Jovem.

Fazemos votos de força de vontade, fé e perseverança a todos os irmãos que estão em tratamento que com certeza encontraram a Vitória. Aos que necessitam de tratamento, coragem, por que o caminho existe, Jesus é o caminho da salvação e da libertação, só Ele pode.


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